segunda-feira, 1 de junho de 2009




DUELO PELA VIDA...!

Ó figura atroz
que de negro caminhas.
E que tão cedo chegas
para me calar a voz.
Ó morte! por que esperas
para me cortar as veias,
com essa arma cruel
que aos céus trazes erguida,
e derramares sobre elas o fel
desta minha vida sofrida!
Porque me tratas com despeito?
Porque me abres a ferida?
Porque me rasgas o peito
e pões fim à minha vida?
Luto com todo o meu ser
numa batalha desigual.
Luto porque quero viver,
afastar de mim este mal.
Vejo por breves instantes,
imagens desfocadas
desta vida a preto e branco.
São lembranças distantes
numa tela projectadas.
São memórias constantes
banhadas em longo pranto.
Outrora por ti enganado,
vi minha vida no fim;
vi meu futuro escarrado,
escondido dentro de mim.
Vi cavaleiros, soldados,
coronéis e generais;
brigadeiros derrotados
e tantas guerras iguais.
Agora, sei que a vida é escassa.
E não sei para onde vou
nem sequer o que se passa.
O duelo terminou.
Vejo meu leito vazio,
caio no chão esgotado,
olho meu corpo... já frio!

quinta-feira, 28 de maio de 2009












Entre o Céu e a Terra....
(Um pequeno tributo a Camões)
I

De noite veio à terra injustamente
Pois minha vida assim o não queria.
Cruel soprava o vento fortemente
Que em gritos afogados eu ouvia:
Daqueles que como eu, tão cruelmente
A vida pelas mãos se lhes fugia.
E que sem lutar sequer se entregavam,
Deixando para trás aqueles que amavam.

II

E a grandeza do céu medida a palmo,
Pela mão Daquele que a terra julgará,
Verão surgir tormentas em mar calmo
E o céu purpura, de dor se agitará.
Trarão em mãos os anjos, novo salmo:
E que ao som de sua voz, deles se ouvirá:
As ordens Dele, por nós já esquecidas,
Que em pedra foram um dia esculpidas.

III

E a alma de meu corpo se arremessa,
Tão certo como ver-te não podia.
Entrego-me eu à morte, que com pressa
sugava o sangue que em meu corpo havia.
Cumprida assim estava a Sua promessa:
E em lagrimas desfeito eu partia:
Deixando para trás sonhos largados
Da vida de onde andamos, apartados.

IV

Terão teus beijos sabor a saudade,
Teus abraços o calor já esquecido.
Ouvirão meus ouvidos a verdade
Do teu amor, que eu sei já ter perdido.
E mesmo se eu morresse de ansiedade
Por ter vivido a vida sem sentido,
Em meu corpo sentiria a ilusão
De que um dia fora meu, teu coração.

V

E aos céus serenos, os anjos voltarão
Confiantes de sua obra já cumprida.
E nas mãos do Criador entregarão
O destino de amar-te toda vida.
E perante Si, meus olhos chorarão,
Pedindo com vontade desmedida:
Que não me deixe aqui para todo sempre
Sentindo a tua ausência eternamente.

VI

Mas mesmo que cruel a sorte aceito,
Sabendo que outras vidas não terei.
Pois vendo-te dormindo em doce leito
Lá do alto céu, teu sono velarei.
De mãos postas em cruz, sobre meu peito
E rezando por quem tanto desejei:
Aos anjos vou pedir que te protejam,
Para que a morte os teus olhos não vejam.

VII

E virá um dia em que finalmente,
Os meus olhos com certeza os teus verão.
De teus lábios ouvirei certamente:
As palavras que escutei com o coração,
Que mesmo sendo triste e já doente,
Com afinco viveu ele esta paixão.
Sabendo que um dia voltarias
E o teu sono em meu peito dormirias.

VIII

Sonharei eu então com esse dia,
Em que formosa e bela tu estarás.
Verei cumprida a Sua profecia,
Dessa paixão que por mim avivarás.
Será para mim tamanha essa alegria,
Que de novo em mim a vida plantarás.
E as lagrimas que meus olhos choraram,
Serão gotas de orvalho que secaram.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Olhar Distante…de Mim! ...
Vagueio pela manhã fria, 
Num nevoeiro intenso, gelado.
Minha alma estremece… 
E meu corpo molhado 
Caído no chão padece… 
E já não sente o que sentia. 
Meu olhar está distante…. 
Perdido no tempo.
E as lágrimas que choro 
Num rio que corre, constante… 
Vão-me servindo de alento 
Neste lugar triste onde moro. 
Procuro em meu redor, 
Numa busca desenfreada, 
O cheiro de uma rosa florida
Cuja cor azul, já desbotada, 
Emana o mesmo odor…
E que vai curando esta ferida. 
Meu choro emotivo
Uma lágrima deixa cair… 
Num soluçar compulsivo
Num estremecer constante
A chuva começa a cair…
O sol parece distante 
E o mar esse, feroz… 
Que contemplo neste momento 
Molha-me a alma, seca-me a voz… 
Aprisiona-me num pensamento 
Que eu na areia sentado 
Sozinho a olhar o céu… 
Vejo passar a meu lado, 
Mesmo sabendo que é meu…

sábado, 18 de abril de 2009


THE LAST FLIGHT…

So early, so soon…
Your bright is like the sun…
Your tears like the sea …
Your shadow is like the moon.
For everywhere you run….

You’re the only one I see…
You can dream…you can fly…
And I feel the same as you,
My heart can touch the sky
And my soul is crying too
You can dream…you can fly…
And my soul is not the same…
My body is ready to die….
I even remember my name…
I feel the wind in my skin
My tears drop to my face…
My heart stopped…
I can fly…but I don’t dream…
I’m now a peace of ice…
I just don’t breathe…
And I leave…
To the last flight…

sexta-feira, 17 de abril de 2009

A Todos os que Amo!


...Oiço um som surdo, que bate à minha porta!
Amedrontado levanto-me e, sem coragem, avanço até à porta e vejo que não é ninguém!
Volto a ouvir...
Então olho para trás e vejo a minha sombra à espreita por entre os vidros embaciados da janela do meu quarto.
Serei eu?
Mas eu quem?
Não sei quem sou...
Não sei sequer para onde vou.
E aquele som, que ecoa num silêncio profundo, é somente a outra parte de mim que me chama para o final.

O final desta peça, onde fui, inconscientemente um mau actor.
Onde representei um papel, que não sendo meu, era simplesmente o papel principal!
O pano cai!
Os espectadores levantam-se em silêncio e arremessam flores brancas para um palco vazio.
É chegada a hora...
...a hora da partida...
...a hora do adeus!
...E eu agradeço a todos,
com uma última vénia!