quarta-feira, 24 de março de 2021

AUSÊNCIA










Toco os lençóis da minha cama

E neles sinto, a tua ausência.

Abraço teu corpo sem alma,

Grito por ti com demência.

Rasgo os lençóis enrugados

Da cama, que não aqueceste.

Sinto teu cheiro afastado,

E em tua boca guardado

Tens o beijo que me não deste.

E vejo o tempo a correr,

A vida que passa a fugir.

E o fogo que queima, sem arder

Teima em me destruir.

Olho de novo meu leito.

E tento teu corpo encontrar.

Com punhais cravados no peito

Que me rasgam o coração,

Deixo meu corpo sangrar

E caio ferido no chão.

De novo peço para ouvir

As promessas que não fizemos,

E em meu corpo quero sentir

Os abraços que não demos,

E de tua boca beber

O veneno desse teu beijo,

Que guardado dentro de ti

Me vai matando o desejo

Da vida que não vivi.

Como me dói a alma

Por te não puder amar.

E em cada recanto do mundo

O teu nome puder gritar.

Ó que desgosto profundo

Sinto dentro de mim.

Ó dor que me consomes,

Porque tem de ser assim?

Se um dia no teu coração

Também esse desejo nascer,

Saberás então a razão

Pela qual eu quis viver!

Mas se esse dia não chegar

Ou se eu já tiver partido.

Poderás por mim chorar

Pois talvez tenha morrido