Toco os lençóis da minha cama
E neles sinto, a tua ausência.
Abraço teu corpo sem alma,
Grito por ti com demência.
Rasgo os lençóis enrugados
Da cama, que não aqueceste.
Sinto teu cheiro afastado,
E em tua boca guardado
Tens o beijo que me não deste.
E vejo o tempo a correr,
A vida que passa a fugir.
E o fogo que queima, sem arder
Teima em me destruir.
Olho de novo meu leito.
E tento teu corpo encontrar.
Com punhais cravados no peito
Que me rasgam o coração,
Deixo meu corpo sangrar
E caio ferido no chão.
De novo peço para ouvir
As promessas que não fizemos,
E em meu corpo quero sentir
Os abraços que não demos,
E de tua boca beber
O veneno desse teu beijo,
Que guardado dentro de ti
Me vai matando o desejo
Da vida que não vivi.
Como me dói a alma
Por te não puder amar.
E em cada recanto do mundo
O teu nome puder gritar.
Ó que desgosto profundo
Sinto dentro de mim.
Ó dor que me consomes,
Porque tem de ser assim?
Se um dia no teu coração
Também esse desejo nascer,
Saberás então a razão
Pela qual eu quis viver!
Mas se esse dia não chegar
Ou se eu já tiver partido.
Poderás por mim chorar
Pois talvez tenha morrido


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