...Vagueio pela manhã fria,
Num nevoeiro intenso, gelado.
Minha alma estremece…
E meu corpo molhado
Caído no chão padece…
E já não sente o que sentia.
Meu olhar está distante….
Perdido no tempo.
E as lágrimas que choro
Num rio que corre, constante…
Vão-me servindo de alento
Neste lugar triste onde moro.
Procuro em meu redor,
Numa busca desenfreada,
O cheiro de uma rosa florida
Cuja cor azul, já desbotada,
Emana o mesmo odor…
E que vai curando esta ferida.
Meu choro emotivo
Uma lágrima deixa cair…
Num soluçar compulsivo
Num estremecer constante
A chuva começa a cair…
O sol parece distante
E o mar esse, feroz…
Que contemplo neste momento
Molha-me a alma, seca-me a voz…
Aprisiona-me num pensamento
Que eu na areia sentado
Sozinho a olhar o céu…
Vejo passar a meu lado,
Mesmo sabendo que é meu…


