domingo, 11 de abril de 2021

 SOU QUEM SOU...AFINAL










Venho do fundo do mar

Trazido pelo entardecer.

Trago no peito a saltar,

Um coração a bater.

E como a pedra de gelo

Que derrete com o calor,

Minha alma treme de medo

Meu corpo escorre suor!

Olho encantado o luar,

Conto as estrelas do céu,

Na areia me quero ocultar

E das algas faço meu véu.

Quero esquecer a tristeza

Para de novo poder viver!

Quero olhar a beleza…

E na fonte da vida beber!

Quero saber para onde vou,

Receber de Ti um sinal!

Saber ao certo, quem sou,

Quem sou eu, afinal?

Sou o pão sem fermento

Sou o vinho sem mosto.

A brisa num dia sem vento,

Aquele que caminha sem rosto.

Sou o cheiro da rosa,

Sou a água do rio.

Sou o verso, sou a prosa,

O calor num dia de frio!

Sou o que sempre quis ser!

Não sou o bem nem o mal,

Quero continuar a viver,

Ser quem sou…afinal!



sexta-feira, 26 de março de 2021

 NÃO TENHAS MEDO...








Deixa-te estar aí; parado

Nesse rochedo a olhar.

Que as lágrimas sejam o mar salgado

e a brisa fresca o teu respirar.

Agora vem, dá-me a tua mão.!

Eu estou aqui, não tenhas medo.

Caminha em frente, abre o coração,

Deixa que o mar te conte um segredo.

Abre os braços, de par em par…

Que a tua alma seja luz e energia.

Deixa-te levar, deixa-te voar…

Sente em ti a magia…

Liberta o teu pensamento.

Mergulha… confia no teu coração

Vive somente o momento

Sente em ti a emoção.

porque és luz, és harmonia…

És o sol que brilha ofuscante

és noite transformada em dia.

a força e a coragem constante.

És na pele o abraço,

Aquele, fortes e sem tempo…

Aquele sem hora, sem espaço…

A cura do sofrimento.

És o sonho e a realidade

Esse é o teu segredo

És brisa, ou tempestade…

Por isso vai… não tenhas medo!




quarta-feira, 24 de março de 2021

AUSÊNCIA










Toco os lençóis da minha cama

E neles sinto, a tua ausência.

Abraço teu corpo sem alma,

Grito por ti com demência.

Rasgo os lençóis enrugados

Da cama, que não aqueceste.

Sinto teu cheiro afastado,

E em tua boca guardado

Tens o beijo que me não deste.

E vejo o tempo a correr,

A vida que passa a fugir.

E o fogo que queima, sem arder

Teima em me destruir.

Olho de novo meu leito.

E tento teu corpo encontrar.

Com punhais cravados no peito

Que me rasgam o coração,

Deixo meu corpo sangrar

E caio ferido no chão.

De novo peço para ouvir

As promessas que não fizemos,

E em meu corpo quero sentir

Os abraços que não demos,

E de tua boca beber

O veneno desse teu beijo,

Que guardado dentro de ti

Me vai matando o desejo

Da vida que não vivi.

Como me dói a alma

Por te não puder amar.

E em cada recanto do mundo

O teu nome puder gritar.

Ó que desgosto profundo

Sinto dentro de mim.

Ó dor que me consomes,

Porque tem de ser assim?

Se um dia no teu coração

Também esse desejo nascer,

Saberás então a razão

Pela qual eu quis viver!

Mas se esse dia não chegar

Ou se eu já tiver partido.

Poderás por mim chorar

Pois talvez tenha morrido


segunda-feira, 22 de março de 2021

 



VESTIDA DE NEGRO










De negro vens tu vestida

Envolta na sombra cruel.

Vens sorrateira, escondida

Cravando nos corpos a dor

Como se fosse um cinzel

Nas mãos de um escultor.

Deixas cair lentamente

No chão, teu manto mordaz.

Sem decência abres o ventre,

Mostras do que és capaz.

Ergues um muro em redor

Daqueles que sem escolher

Viram roubar sem pudor

A vida que queriam viver.

E a sombra que te acompanha

Pelos vales onde caminhas,

Enegrece de forma estranha

A alma, fazendo-a temer,

Como a geada nas vinhas

Que as uvas deixa morrer,

E o vinho que delas saía

Mais doce que o puro mel,

Era o sangue que corria

Em lágrimas soltas num papel.

Da mesma forma partiste

Levando contigo o meu ser.

Com teu manto meu corpo cobriste,

Naquele dia ao entardecer.

E na sombra que te acompanhava

Esperavas ávida e fria

Enquanto minha alma secava

Enquanto meu corpo morria.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

Que Seja...













Que seja breve a caminhada
e o caminho não tenha fim...
Que os passos na areia molhada 
te consigam trazer até mim.
Que o céu toque o mar, distante...
Que os sonhos não sejam ilusões.
Que a brisa que ouço ofegante
seja o som de nossos corações.
E que eu possa ver mais além
Nossos sonhos em sintonia...
e que as almas se encontrem também
até que a noite vire dia.
Que o mar se enrole na areia...
Que a lua brilhe no céu.
Que sejam meus braços a teia,
Que prendem eu corpo ao meu.
Que o calor se torne desejo,
Que o desejo vire paixão.
E que o doce sabor do teu beijo
Não seja mais uma ilusão.
Que o calor do teu corpo no meu,
Aqueça aquele chão molhado.
E que o doce beijo que é teu
deixe meu corpo salgado.
Teus olhos agora brilhantes,
refletem o céu mais além.
Nossos corpos tornam-se amantes...
e as nossas almas também.
Saboreio de novo teu beijo,
descanso em teu peito ardente...
e que esta sede de desejo...
Possa durar eternamente...

2 maio 2018


 

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

Reflexo de Mim...



















Que eu não seja apenas o reflexo daquilo que vês...
Que tenhas a capacidade de ver mais além...
Que consigas ver o que mais ninguém vê...
Que me consigas ler nas entrelinhas...
Que os teus olhos vejam no interior dos meus a minha essência...
Que reconheças neles a minha alma... 
e que me entendas...
Que vejas em mim a vontade de viver...
Que possas arrancar de mim um sorriso...
Ao mesmo tempo que me secas as lágrimas...
Porque metade de mim é alegria...
Mas a outra metade é tristeza...
E que parte daquilo que vês...
Seja o dobro daquilo que sou...
Porque Eu...sou apenas Eu!
Se assim for...
Então abraça-me...
Aconchega-me...
Protege-me...
Porque só tu...
Terás a capacidade de me entender...
De me conhecer...
De me conquistar...
De me Amar...
De me fazer Feliz...

By Paulo L Fernandes(29/7/2018)

segunda-feira, 1 de junho de 2009




DUELO PELA VIDA...!

Ó figura atroz
que de negro caminhas.
E que tão cedo chegas
para me calar a voz.
Ó morte! por que esperas
para me cortar as veias,
com essa arma cruel
que aos céus trazes erguida,
e derramares sobre elas o fel
desta minha vida sofrida!
Porque me tratas com despeito?
Porque me abres a ferida?
Porque me rasgas o peito
e pões fim à minha vida?
Luto com todo o meu ser
numa batalha desigual.
Luto porque quero viver,
afastar de mim este mal.
Vejo por breves instantes,
imagens desfocadas
desta vida a preto e branco.
São lembranças distantes
numa tela projectadas.
São memórias constantes
banhadas em longo pranto.
Outrora por ti enganado,
vi minha vida no fim;
vi meu futuro escarrado,
escondido dentro de mim.
Vi cavaleiros, soldados,
coronéis e generais;
brigadeiros derrotados
e tantas guerras iguais.
Agora, sei que a vida é escassa.
E não sei para onde vou
nem sequer o que se passa.
O duelo terminou.
Vejo meu leito vazio,
caio no chão esgotado,
olho meu corpo... já frio!

quinta-feira, 28 de maio de 2009












Entre o Céu e a Terra....
(Um pequeno tributo a Camões)
I

De noite veio à terra injustamente
Pois minha vida assim o não queria.
Cruel soprava o vento fortemente
Que em gritos afogados eu ouvia:
Daqueles que como eu, tão cruelmente
A vida pelas mãos se lhes fugia.
E que sem lutar sequer se entregavam,
Deixando para trás aqueles que amavam.

II

E a grandeza do céu medida a palmo,
Pela mão Daquele que a terra julgará,
Verão surgir tormentas em mar calmo
E o céu purpura, de dor se agitará.
Trarão em mãos os anjos, novo salmo:
E que ao som de sua voz, deles se ouvirá:
As ordens Dele, por nós já esquecidas,
Que em pedra foram um dia esculpidas.

III

E a alma de meu corpo se arremessa,
Tão certo como ver-te não podia.
Entrego-me eu à morte, que com pressa
sugava o sangue que em meu corpo havia.
Cumprida assim estava a Sua promessa:
E em lagrimas desfeito eu partia:
Deixando para trás sonhos largados
Da vida de onde andamos, apartados.

IV

Terão teus beijos sabor a saudade,
Teus abraços o calor já esquecido.
Ouvirão meus ouvidos a verdade
Do teu amor, que eu sei já ter perdido.
E mesmo se eu morresse de ansiedade
Por ter vivido a vida sem sentido,
Em meu corpo sentiria a ilusão
De que um dia fora meu, teu coração.

V

E aos céus serenos, os anjos voltarão
Confiantes de sua obra já cumprida.
E nas mãos do Criador entregarão
O destino de amar-te toda vida.
E perante Si, meus olhos chorarão,
Pedindo com vontade desmedida:
Que não me deixe aqui para todo sempre
Sentindo a tua ausência eternamente.

VI

Mas mesmo que cruel a sorte aceito,
Sabendo que outras vidas não terei.
Pois vendo-te dormindo em doce leito
Lá do alto céu, teu sono velarei.
De mãos postas em cruz, sobre meu peito
E rezando por quem tanto desejei:
Aos anjos vou pedir que te protejam,
Para que a morte os teus olhos não vejam.

VII

E virá um dia em que finalmente,
Os meus olhos com certeza os teus verão.
De teus lábios ouvirei certamente:
As palavras que escutei com o coração,
Que mesmo sendo triste e já doente,
Com afinco viveu ele esta paixão.
Sabendo que um dia voltarias
E o teu sono em meu peito dormirias.

VIII

Sonharei eu então com esse dia,
Em que formosa e bela tu estarás.
Verei cumprida a Sua profecia,
Dessa paixão que por mim avivarás.
Será para mim tamanha essa alegria,
Que de novo em mim a vida plantarás.
E as lagrimas que meus olhos choraram,
Serão gotas de orvalho que secaram.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Olhar Distante…de Mim! ...
Vagueio pela manhã fria, 
Num nevoeiro intenso, gelado.
Minha alma estremece… 
E meu corpo molhado 
Caído no chão padece… 
E já não sente o que sentia. 
Meu olhar está distante…. 
Perdido no tempo.
E as lágrimas que choro 
Num rio que corre, constante… 
Vão-me servindo de alento 
Neste lugar triste onde moro. 
Procuro em meu redor, 
Numa busca desenfreada, 
O cheiro de uma rosa florida
Cuja cor azul, já desbotada, 
Emana o mesmo odor…
E que vai curando esta ferida. 
Meu choro emotivo
Uma lágrima deixa cair… 
Num soluçar compulsivo
Num estremecer constante
A chuva começa a cair…
O sol parece distante 
E o mar esse, feroz… 
Que contemplo neste momento 
Molha-me a alma, seca-me a voz… 
Aprisiona-me num pensamento 
Que eu na areia sentado 
Sozinho a olhar o céu… 
Vejo passar a meu lado, 
Mesmo sabendo que é meu…

sábado, 18 de abril de 2009


THE LAST FLIGHT…

So early, so soon…
Your bright is like the sun…
Your tears like the sea …
Your shadow is like the moon.
For everywhere you run….

You’re the only one I see…
You can dream…you can fly…
And I feel the same as you,
My heart can touch the sky
And my soul is crying too
You can dream…you can fly…
And my soul is not the same…
My body is ready to die….
I even remember my name…
I feel the wind in my skin
My tears drop to my face…
My heart stopped…
I can fly…but I don’t dream…
I’m now a peace of ice…
I just don’t breathe…
And I leave…
To the last flight…

sexta-feira, 17 de abril de 2009

A Todos os que Amo!


...Oiço um som surdo, que bate à minha porta!
Amedrontado levanto-me e, sem coragem, avanço até à porta e vejo que não é ninguém!
Volto a ouvir...
Então olho para trás e vejo a minha sombra à espreita por entre os vidros embaciados da janela do meu quarto.
Serei eu?
Mas eu quem?
Não sei quem sou...
Não sei sequer para onde vou.
E aquele som, que ecoa num silêncio profundo, é somente a outra parte de mim que me chama para o final.

O final desta peça, onde fui, inconscientemente um mau actor.
Onde representei um papel, que não sendo meu, era simplesmente o papel principal!
O pano cai!
Os espectadores levantam-se em silêncio e arremessam flores brancas para um palco vazio.
É chegada a hora...
...a hora da partida...
...a hora do adeus!
...E eu agradeço a todos,
com uma última vénia!